Crítica: Guerra Mundial Z – O fim não é a morte!


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Por: Patrick Duarte

Não é de hoje que vemos filmes com historias sobre mortos que caminham ou sobre vivos que morrem, mas nunca esteve tão em alta o universo zumbi como nos últimos anos. Series de TV, filmes, animes, muito material criado sobre como seriamos afetados se acontecesse um apocalipse zumbi.

Nesse final de semana estreou no cinemas o novo filme estrelado por Brad Pitt, Guerra Mundia Z (World War Z) que é uma adaptação do livro com o mesmo nome, escrito por Max Brooks – que também é o autor do livro “Guia de Sobrevivência a Zumbis”. O filme foi dirigido por Marc Forster e roteirizado por Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski.

O filme que tentou seguir uma linha de terror se tornou o mais caro da historia com US$ 200 milhões gastos. O filme não se mantém fiel ao gênero escolhido e fica oscilando entre a ação e o terror, mas que ficaram perfeitamente encaixados na trama. Os gastos talvez não valem o produto final, mas com certeza é uma boa opção que vale o ingresso.

Na trama acompanhamos o ex-investigador das Nações Unidas Gerry Lane (Brad Pitt) especialista em conflitos ao redor do mundo. Afastado de seu antigo emprego, Gerry vive tranquilamente com sua esposa Karin (Mireille Enos) e suas duas filhas. O que seria um dia normal para a família Lane se torna o pesadelo mais aterrorizante. Uma horda de pessoas, aparentemente fora de si, atacando e destruindo tudo que vem pela frente. Sem saber ao certo o que está acontecendo, o primeiro sentimento é da sobrevivência, correr, escapar, ir para algum lugar seguro. Nessas horas é vantajoso ter um treinamento adequado,rs! Gerry ainda possui contatos com os poderosos – não tão poderosos – das Nações Unidas que fazem seus esforços para salvar a vida de Gerry e de sua família em meio ao caos. Esse primeiro momento do filme, tenho que admitir, me deixou bem tenso. O clima do desconhecido, o medo de enfrentar o que nem se sabe, foi bem caracterizado e atribuído ao cenário e roteiro. Um belo susto tomei em certo momento.

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Após alguns eventos, a família Lane é salva e levada a um lugar seguro, onde é revelado que Gerry precisa voltar a ativa para ajudar um cientista a descobrir a origem (paciente zero) e criar uma cura. Negando em primeiro momento, Gerry é forçado a ir com os soldados. Não dão escolha a ele, ou vai ou fica, e quando digo “fica” não é num lugar seguro.

A partir disso, os eventos do filme seguem Gerry por diversos países em busca de pistas que levem a origem da infestação. O filme é bem recheado de cenas de ação, mas as melhores partes vem do terror. A primeira metade do filme é bem instigante, não que o restante seja ruim, mas se tiver que ir ao banheiro espere um pouco. Quando saímos do arco que mostra o que aconteceu para o arco que está acontecendo, temos consciência da grandiosidade que foi a contaminação. Não espere ver uns 100 ou 200 zumbis reunidos, são milhares de milhares, todos agressivos e atacando sem descanso. O mundo está totalmente tomado. Na busca pela origem descobrimos que Israel criou, antes do ataque, um muro gigante que impediu a entrada dos zumbis. Gerry vai até lá para buscar respostas que nunca aparecem diretamente. Esses zumbis, como de costume, reagem a sons, e num momento de alegria por estarem a salvo, o povo que está em Israel faz barulho demais que acaba atraindo os zumbis, que criam com seus próprios corpos uma escada para pular o muro – cena vista em trailer. A cena de fuga da cidade é muito interessante, é um tsunami de zumbis passando um por cima do outro.

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Em grande parte do filme as cenas de ação são bem enquadradas, mostrando o foco e o que está acontecendo ao redor, mas em outros a câmera simplesmente não mostra alguns detalhes, deixando a entender pelas cenas seguintes, como, por exemplo, a mão decapitada e o pé-de-cabra na cabeça. O filme não é sanguinolento, característica feita para pegar censura baixa. O roteiro é inteligente e bem amarrado, grande em escala e realista em ações. Não temos um matador de zumbis da noite pro dia, e o próprio personagem de Pitt não se transforma em um exterminador, mas segue como um cara que acordou num dia com um apocalipse a sua porta. Ele se encaixa mais em um Indiana Jones do que um John McClane. Apesar do roteiro inteligente, é possível – se você for atento as pistas – descobrir a “cura” antes mesmo do protagonista, mas isso não tira a emoção do filme. Grande parte do sucesso do roteiro é pela sua simplicidade em mostrar os fatos, principalmente no final. Quando os produtores tinham tudo pra fazer a melhor sequência de ação, eles dão espaço a simples resolução de um problema, de uma forma tecnicamente fácil, além de conseguir encaixar uma cena para arrancar um riso em meio ao apocalipse. Mas não se engane, apesar de um final bem “tranquilo”, é um final muito digno!

Mesmo com todo o problema na produção, o prazo de entrega estendido, remendos no roteiro e o final totalmente redefinido do que planejaram, Guerra Mundial Z funciona muito bem. Pode não ser a revelação do ano para filmes do gênero, mas com certeza é uma boa produção e uma bela homenagem aos zumbis.

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