Crítica: A Culpa é das Estrela – Melancolia e humor no tom certo

Por: Patrick Duarte

Escrito por John Green e publicado pela primeira vez em Janeiro de 2012, A Culpa É das Estrelas (The Fault in Our Stars) atingiu o primeiro lugar de Best-sellers em Junho de 2012. Inspirado na menina Esther Grace Earl, esse romance alcançou multidões. Seu sucesso foi parar nos cinemas, aumentando as vendas e o interesse por essa bela história. Ainda não tive o prazer de fazer essa leitura, mas já o adquiri e após minha esposa ler, eu irei entrar nessa jornada estelar.

Já faz um certo tempo que esse filme estreou nos cinemas brasileiros, mas somente nesse final de semana eu pude assisti-lo e me senti na obrigação de dar meu parecer sobre a produção.

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A Culpa é das Estrelas narra a estória de Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley), uma menina que foi diagnosticada com um câncer terminal e que leva a vida da maneira mais “normal” possível. Ela frequenta um grupo de apoio que é onde conhece o jovem Augustus “Gus” Waters (Ansel Elgort) que possui um maravilhoso bom humor. Logo à primeira vista, Gus e Hazel criam uma química que é levada por toda a trama.

Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber, juntamente com o diretor Josh Boone conseguem dar a narrativa uma estória de dois adolescentes descobrindo o amor, mas sem cair na mesmice dos filmes que estamos vendo nos últimos tempos. A química de Shailene e Ansel é impressionante, eles conseguem dar vida ao sentimento que deviam demonstrar ao público e consegue prender sua atenção. Eu mesmo me peguei dando uns sorrisinhos conforme o filme passava. O desenvolvimento do filme é bom, apresenta bem tanto os personagens primários quanto os secundários, dando o devido valor a cada um durante trama central. Apesar disso, grande parte da vida dos personagens principais são ocultados. Sabemos, durante uma conversa, que Hazel faz faculdade, mas em todo tempo parece que a mesma está de férias, nem é citado nada em relação. Não que isso estrague a narrativa, de forma alguma, mas deve ser mais uma opção dos roteiristas de mostrar que ela tem uma vida fora de casa, deixando o foco do filme somente nos dois, Hazel e Gus.

Para muitos (comentários que ouvi), o filme não passou de uma linda estória de amor de dois jovens destinados a morte, mas ele consegue ir além. A forma como a determinação, amizade, amor, humor e companheirismo são apresentadas durante o filme é que dão a clareza da essência do filme. No fim das contas, o amor é só um dos grandes trunfos do relacionamento. A morte é tratada durante todo os 125 minutos do filme em diversas formas, como a aniquiladora e até a que traz esperança, sim, eu disse “traz esperança”. É magnifico como a mensagem é transmitida e reforçada a cada conjunto de cena. Desde a cidade natal até Amsterdã. A morte não é a grande vilã do filme, mas sim o medo de não viver intensamente cada segundo.

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Por ser classificado como uma produção de drama e romance, esperamos que durante todo o filme seja arrancado lágrimas com cenas de compaixão e amor ao extremo. E mais uma vez os roteiristas conseguem ir na contra mão. O filme é recheado de humor e piadas pessoais. Exemplo disso é o personagem Gus que vive fazendo piadas com sua perna amputada, com a falta de ar de Hazel e com a cegueira de seu melhor amigo Isaac (Nat Wolff). O filme é muito equilibrado e flui de forma natural. Não tem as reviravoltas que estamos acostumados em filmes dessa linhagem teatral e não tem pressa de explicar como e quando as coisas acontecem. Nisso o roteiro se sai muito bem. Mas como nem tudo é culpa das estrelas (ba dum tss!), a direção deixa um pouco a desejar nas sequências de câmera e fotografia. Momentos interessantes como a noite de amor entre Hazel e Gus poderia ganhar mais “romance” com uma posição de câmera e cortes melhores, mas talvez seja na simplicidade que Boone quis trabalhar, pois assim é o filme: uma maneira simples de explicar a luta contra o câncer.

A Culpa é das Estrelas é, com certeza, algo muito acima da média do que estamos acostumados em dramas de romance escritos por Hollywood nos últimos anos. A mensagem de superar as dificuldades, de sentir e viver a dor, de amar e ter o privilégio de viver cada segundo como se fossem o seu infinito é simplesmente encantador. Poucos filmes conseguem tratar a morte dessa maneira, e “A Culpa é das Estrelas” consegue se sair maravilhosamente bem nesse quesito. É uma interessante estória de amor, com um tempero de humor e fim. O.K?!

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Patrick Duarte

Patrick Duarte, CEO do Blog Pensamento Livre. Jornalista (MTB 0082370/SP). Adorador e escritor. Músico e Professor na Escola Bíblica Dominical (AD - Taboão). Piadista nas horas vagas. Acima de tudo, Servo do Deus!!!

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