Ressurreição (Risen) – Por trás das câmeras: Conhecendo mais sobre o filme de Cristo

Ressurreição (Risen) é a nova produção da Sony Pictures que reconta a clássica história da volta a vida de Cristo, mas de um jeito não convencional. Geralmente, as histórias contam os fatos narrados da perspectiva dos seguidores de Cristo. Nessa trama, a narrativa acompanha um soldado, um incrédulo que quer provar a farsa da possível ressurreição.

Para entendermos melhor, vamos saber um pouco sobre o que acontece por trás das câmeras.

A PRODUÇÃO

Quando Kevin Reynolds foi abordado pela LD Entertainment para que ele fizesse um filme sobre a historia de Cristo, ele estava determinado a re-contar a historia com outros olhos, com uma nova dimensão.  Seguindo a contra-mão com outras versões como o filme mudo de Cecil B. DeMille, de 1927, “Rei dos Reis” (The King of Kings), o blockbuster de 1965 “A Maior História de Todos os Tempos” (The Greatest Story Ever Told) e “A Paixão de Cristo” (The Passion of the Christ), de Mel Gibson, de 2004, Reynolds imaginou a narrativa através dos olhos céticos de um incrédulo. “Nós quisemos fazer algo completamente diferente do que já fora feito. Então, eu tive a ideia de que “Ressurreição” (Risen) seria contada como uma série de investigação.

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Reynolds, que dirigiu o blockbuster de ação “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” (Robin Hood: Prince of Thieves) e produziu a minissérie indicada ao Emmy® “Hatfields & McCoys”, é conhecido por sagas icônicas. “Nós queríamos que o filme fosse grande e inesquecível, mas visto sob a perspectiva de um único personagem”, explica. O conceito chamou a atenção do produtor e fundador da LD, Mickey Liddell, e rodou por muitos roteiros e diretores após lançar o projeto há 8 anos. “Eu amei a ideia do Kevin de que o público iria vivenciar algo antigo e sagrado como se fosse novo em folha”, diz Liddell. “A abordagem de Kevin dá a oportunidade de você se colocar no lugar de Clavius, esse cético soldado romano que estava muito confuso sobre todas essas coisas loucas que aconteciam na Judéia. Ele não está procurando o corpo de Cristo para seguir sua agenda política ou religiosa. Ele está só seguindo ordens”.

O INCRÉDULO

Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado, minissérie de TV “Hércules“) dá vida ao personagem Clavius. Fiennes aprovou de imediato a ideia de Reynolds: “Quando eu li o roteiro, eu adorei o fato de que eu acabara de compreender uma história bíblica que se revelou um mistério de assassinato extraordinário”, diz Fiennes. “O roteiro me fazia avançar as páginas sem saber ao certo como iria acabar, porque quando você vê isso através de um novo olhar, a Ressurreição de Jesus é sem dúvida a mãe de todos os mistérios de assassinato”.

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A perspectiva de interpretar a transformação dramática de Clavius ao longo de três dias monumentais tornou-se irresistível para Fiennes. “Quando conhecemos Clavius no início do filme, ele é um militar rigoroso e ambicioso, que passou vinte e cinco anos servindo ao exército romano, então ele está realmente enraizado em uma forma de pensar”, comenta o ator. “Então, através dessa série de aventuras, Clavius chega a uma dilema, onde percebe que deve haver uma vida além de tudo que ele conhecia antes, algo além de sua condição anterior. Tendo acabado com o suposto Messias, Clavius se vê novamente diante de Jesus no final do filme, quando ele ressuscita, e essa é uma grande virada”.

“Joseph tem uma presença física, mas também uma vulnerabilidade que o personagem pede”, diz Reynolds. “Ele vai do eficiente e cruel oficial romano – ao homem que questiona suas próprias crenças. Joseph tem uma extensão onde ele pode expressar tudo isso”. Diretor e protagonista estavam alinhados, permitido uma super produção em cenário e representação.

Para se preparar para o filme, Fiennes passou um tempo com um detetive de polícia para aprender técnicas de interrogatório. “Entrei no personagem ao conversar com o detetive sobre como é interrogar um suspeito”, relembra Fiennes. “Embora essa seja uma história bíblica, eu queria ser pragmático a respeito do que Clavius precisava fazer, porque eu realmente enxergo o filme como uma história de suspense policial”.

ENCONTRANDO JESUS

Em “Ressurreição” (Risen), a trama segue o mistério das milagrosas idas e vinda de Jesus (Cliff Curtis), que trabalhou anteriormente com Reynolds no filme de 1994 sobre a Ilha de Páscoa, “Rapa Nui”. “Quando o produtor Patrick Aiello sugeriu Cliff, eu imediatamente me entusiasmei com a ideia, porque sei o quão intenso e versátil ele pode ser”, diz o diretor. “Cliff é da mesma escola de atuação de Robert De Niro, então parte do processo dele em “Ressurreição” (Risen) era não falar com ninguém. Ao ficar em silêncio no set, algo cresceu dentro de Curtis, tanto que os personagens dos Apóstolos realmente responderam a isso e acho que fica visível na tela”.

A abordagem de Curtis combinou perfeitamente com a forma como o personagem estava descrito no papel. “Um dos desafios com Jesus é que ele não tinha muitos diálogos no roteiro”, observa Reynolds. “Por isso, precisávamos de alguém que pudesse expressar a presença de Jesus, sem precisar fazer isso de forma verbal”. Curtis, que descende dos Maori, os nativos da Nova Zelândia, considerou o papel como o desafio de sua vida. “Se você acredita ou não que ele foi o filho de Deus, Jesus foi um ser humano extraordinário”, diz. “Ele mudou a forma como a humanidade percebia a vida, então foi uma honra incrível interpretá-lo. Eu só poderia abordar o papel com gratidão e humildade”.

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Para criar um clima de tensão e um ambiente de caça, os atores Curtis e Fiennes evitaram o contato visual durante os quatro meses das filmagens, abrindo-se exceção somente para os momentos de gravação. “Não passávamos nenhum tempo juntos e acho que isso contribuiu para tornar nossos encontros na tela mais intensos e palpáveis”, recorda Fiennes. “Com frequência, estávamos na mesma sala, mas nunca interagíamos e, de alguma forma, isso contribuiu para que o momento em que estávamos em contato na tela fosse mais tocante, verbal e emocionalmente”.

O ASPIRANTE

O papel de Lucius teve muitos concorrentes, mas a escolha do diretor apontou para um ator muito conhecido, Tom Felton, o Draco Malfoy na saga Harry Potter. “Tom foi uma grata surpresa para mim”, diz. “Nós testamos diversas pessoas para o papel e, naquela época, ele ainda não tinha um nome — nós o chamávamos de ‘O adido’. Quando Tom chegou, ele fez o personagem ficar maior do que no papel. Ele tem aquela complexidade efêmera, aquela coisa que só as estrelas têm e foi o que fez com que Lucius sobressaísse”.

O ator britânico também falou do arco histórico de seu personagem, um novato privilegiado, com muito para provar. “Eu vejo Lucius como um soldado inexperiente, que acabara de sair do berço de Roma”, explica Felton. “Seu pai é amigo de Pôncio Pilatos e logo ele consegue uma boa posição sem precisar trabalhar para crescer como faz a maioria dos soldados”.

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OS APÓSTOLOS

Ao se escrever sobre personagens que já possuem uma transcrição tão rica, é essencial tentar transmitir isso de forma objetiva e real. “Eu queria criar Apóstolos que gerassem identificação, pessoas com suas peculiaridades, alguns até com certo senso de humor”, diz. “Para mim, era importante fazer os Apóstolos parecerem pessoas reais e não ícones distantes”. Ao dramatizar a jornada dos Apóstolos de Jerusalém até o Mar da Galileia, atores incluindo Mario Tardón, que interpreta André, foram ajudados pela preparação física dos papéis. “Eu coloquei a peruca, depois colocaram lama em todo o meu corpo, em minhas mãos e nos meus pés”, lembra. “Filmar nesse incrível deserto e nas locações de praia fez sentido para o personagem”.

Os atores que interpretavam os Apóstolos eram tão únicos, a cada dia traziam muito entusiasmo e amor para o set”. O vínculo entre Maria Madalena e Jesus ficou evidente para Botto no momento em que ela mergulhou no roteiro de “Ressurreição” (Risen), criado por Reynolds e com coautoria de Paul Aiello. “Quando eu li o roteiro, fiquei chocada com o respeito entre Maria Madalena e Jesus e como eles lutaram para compartilhar esse amor redentor ao mundo”, diz. “Esse é o elemento do qual mais gosto na história”.

RETORNO A MALTA

As filmagens do filme ocorreram na Espanha e em Malta, uma nação insular dotada de paisagens lindas e misteriosas, com diversas catacumbas antigas, que serviu anteriormente como locação fundamental para o aventureiro filme de Reynolds, de 2002, “O Conde de Monte Cristo” (The Count of Monte Cristo). Enquanto o cenário maravilhoso de Malta ofertava um painel de fundo espetacular, o calor mostrava-se um obstáculo formidável, especialmente em Agosto, quando os cineastas filmaram a cena da crucificação durante quatro dias úmidos e com temperatura de 33 graus.

“As pessoas suavam”, relembra Liddell. “Estava calor, empoeirado. Não havia cabelo, maquiagem, nada disso”. Reynolds insistiu em capturar as cenas de ação de “Ressurreição” (Risen) com a câmera, ao invés de deixar por conta dos efeitos especiais digitais. “Não usamos muito CGI porque queríamos o sentimento de que esses eventos realmente aconteceram”, explica Liddell. “Cliff Curtis estava realmente lá em cima na cruz, pendurado por dias e dias. E depois fomos até catacumbas que eram usadas de verdade antigamente. Queríamos que o público entrasse nesse período histórico e perguntasse ‘Se eu fosse um soldado romano ambicioso, eu seguiria esse grupo pequeno quando, na lógica, isso não fazia nenhum sentido? Eu poderia ser transformado dessa forma?’”.

A oficina para atuação é essencial. Não se limita apenas a interpretar, é necessário entender e saber o que se está fazendo. Para as cenas de batalhas, Fiennes estudou luta de gladiadores com um dublê italiano, dando autenticidade a cada cena rodada.  As sequências climáticas do Mar da Galileia forma filmadas, primeiramente, na província de Almería, na costa da Espanha, que possuem a extensão de 3 quilômetros de praias de areias brancas e águas cristalinas. Reynolds usou a Alcáçova, uma fortificação do século XI, em Málaga, na Espanha, como parte do quartel-general de Pilatos. Sob a supervisão do designer de produção Stefano Ortolani, a equipe recriou cuidadosamente a arquitetura do dia.

Com um visual espetacular, cenas de ação viscerais, personagens mundanos e abordagem de mistério de série de investigação policial, “Ressurreição” (Risen) pretende ressoar entre os espectadores crentes e incrédulos da mesma maneira. “Para mim, “Ressurreição” (Risen) se destaca porque é quase uma versão conservadora do Evangelho, que aceita a palavra extraordinária como está escrita”, diz Fiennes. “Eu gosto do fato desse filme abraçar o mistério de Cristo através de lentes originais”.

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Enquanto se mantém fiel aos ensinamentos do Novo Testamento, “Ressurreição” (Risen) incorpora um tom contemporâneo que também acomoda a sensibilidade dos incrédulos. “Eu sempre quis contar uma história como essa, que parece um grande filme de Hollywood”, diz o produtor Liddell. “Claro que queremos que os cristãos se sintam representados de forma correta. Mas se você não crê, a ação e o drama oferecem outras razões para assistir “Ressurreição” (Risen)”.

Reynolds, deliberadamente, desenhou sua representação da Ressurreição de forma que os cinéfilos pudessem formar suas próprias conclusões sobre os eventos representados na tela. “Nós não queremos dizer para as pessoas no que elas devem acreditar”, diz o diretor. “As pessoas podem usar esse filme como um veículo para examinar sua própria crença ou somente aproveitar a história do ponto de vista cinematográfico”.

 

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Patrick Duarte

Patrick Duarte, CEO do Blog Pensamento Livre. Jornalista (MTB 0082370/SP). Adorador e escritor. Músico e Professor na Escola Bíblica Dominical (AD – Taboão). Piadista nas horas vagas. Acima de tudo, Servo do Deus!!!

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