Crítica | Milagres do Paraíso (Miracles From Heaven) – A Fé, a raiva e a cura

Por: Patrick Duarte

Nos últimos anos produções que possuem um forte apelo religioso tem conquistado produtoras e assim, inundado os cinemas com agradáveis produções. O último lançamento é distribuído pela grande Sony Pictures e adapta a história do livro Miracles From Heaven, que no Brasil ganhou o titulo de “Milagres do Paraíso“. Mas não se engane, apesar da produção ser sobre um testemunho de uma cristã, não é apenas um melodrama religioso. É muito mais!

Em Milagres do Paraíso, conhecemos a história de Christy Beam (Jennifer Garner), mãe de três meninas e esposa de um médico veterinário. Devotos de sua fé, seguem suas vidas com felicidade e as preocupações que todos nós temos. A vida da família muda radicalmente quando sua filha “do meio” adoece sem explicação e após diversos exames descobre-se que ela sofre de uma rara doença gastrointestinal que não tem cura, e ainda a força a se alimentar por sondas, causando dores constantes e inchaços em sua barriga. O desespero toma conta da família e assim da-se inicio a trama central do filme: .

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Diferente de outras produções como Deus Não Está Morto 1 e 2, Milagres do Paraíso é de uma grande produtora que já lhe dá uma condição superior em qualidade de filmagem, cenários e pós-produção, devido ao seu orçamento. A produção recheada de nomes de peso, consegue transmitir os sentimentos de dor da família graças a atuação dos atores, em especial de Jennifer, que considero uma ótima atriz. Fica claro que a escalação foi feita com cuidado para que todos se encaixassem nos seus devidos papeis.

O roteiro de Randy Brown (Curvas da Vida) consegue, em seus 110 minutos, resumir toda a historia em momentos marcantes e necessários para o desenvolvimento do filme. O começo se torna um pouco acelerado, mas nada que atrapalhe o entendimento do espectador. Adaptar um livro nunca é fácil, ainda mais quando se trata de uma historia real, mas a produção teve ativa participação da verdadeira Christy Beam, que ajudou a manter a fidelidade dos fatos e impressionar com sua luta de queda e fé.

Quando se trata de demostrar sentimentos e tornar isso palpável ao espectador uma dose forte de drama se faz necessária e nesse quesito, a diretora Patricia Riggen (Os 33), conseguiu se sobressair. Apesar de pesar a mão em alguns momentos, não acredito que isso tenha danificado o filme, ao contrario, tornou o filme intenso, doloroso e ao mesmo tempo, manteve sua forma lirica de contar a história. O filme não possui grandes momentos de reviravolta, com exceção do final, que mostra o motivo do titulo ser “Milagre”. O primeiro e segundo ato focam primordialmente no relacionamento entre a família, igreja, fé e Deus, e como tudo isso é afetado devido as dificuldades que a doença apresenta. Esses atos são importantes para a narrativa pois apresentam dois lados de uma mesma moeda: drama e felicidade. Mesmo dentro de um cenário tenso, mãe e filha conseguem, em poucos momentos, ter espaço para sorrisos. O terceiro ato funciona como uma extensão do segundo, seu desenvolvimento para o finale é realizado bem ao final, mas acredito que isso se deva a linha de narrativa que a diretora escolheu. 

O filme possui uma bela direção de fotografia e continuidade. Os cenários que se limitam entre rancho, hospital e igreja, mas são locais muito bem locados e apropriados. A qualidade de iluminação e trilha sonora ajudam a introduzir o espectador no clima que o filme tenta apresentar. A trilha interpretada pela banda Third Day é emocionante e se encaixa perfeitamente e nos momentos certos. O filme ganhou uma grata adaptação pelos interpretes Paulo César Baruk e Priscilla Alcantara que vale ser conferido.

Outro ponto positivo foi conseguir transformar os pequenos gestos do dia a dia em milagres diários, mostrando que mesmo em meio a diversidades e problemas, podemos encontrar o milagre no gesto mais simples do dia. Esse é foco do filme: mostrar que milagres existem. Apesar de existir a relação medicina x fé, o filme não tenta debater ou inflar o debate dessas duas diferentes linhas de entendimento, mas fica no simples que é: “a medicina não pode explicar!”.

Uma grata surpresa fica por conta de Kylie Roger, que interpreta Annabel Beam, que é a protagonista que sofre da doença incurável. Seu carisma e interpretação são um espetáculo a parte, além da química que conseguiu criar com Jennifer. Isso foi um fator primordial, já que grande parte do filme é sobre o convívio delas com a doença.

Milagres do Paraíso (Miracles From Heaven) consegue ser um ótimo blockbuster e digno de ser considerado uma das melhores produções cristãs dos últimos dias. Ainda temos muito a ser melhorado nesse mercado, mas com certeza, estão no caminho certo.

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Patrick Duarte

Patrick Duarte, CEO do Blog Pensamento Livre. Jornalista (MTB 0082370/SP). Adorador e escritor. Músico e Professor na Escola Bíblica Dominical (AD - Taboão). Piadista nas horas vagas. Acima de tudo, Servo do Deus!!!

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