Crítica: O Regresso – O martírio da descoberta

Por: Patrick Duarte

Antes de mais nada, após presenciar algumas reclamações dos espectadores que saíram da sala de cinema, se você está indo ver O Regresso (The Revenant) achando que é uma produção de Michael Bay, de meia volta. O filme não é de ação, capiche!?

Após o espetacular Birdman, o diretor Alejandro González Iñárritu retorna as telas com uma adaptação, baseada no romance de Michael Punke, que é inspirado na história real de Hugh Glass. Em O Regresso (The Revenant), acompanhamos o caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) que após sofrer um feroz ataque de um urso, é largado para morrer. Sua sede de vingança o faz cruzar a linha da morte, em uma jornada que irá exigir o máximo de seu corpo e alma.

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Em seus 156 minutos de filme, toda a jornada é, admiravelmente, ofegante. É incrível acreditar e ver que o personagem Glass tenha sobrevivido a tantos ataques e desastres. A direção de Iñárritu, com a bela atuação de DiCaprio, mostra uma entrega de corpo e alma, transmitindo a sensação de real dor e desespero que o caçador está sofrendo. No papel de Glass, DiCaprio não tem muitas falas, mas isso não é necessário para que ele realize uma belíssima atuação, que lhe rendeu a indicação ao Oscar, e o prêmio de melhor Ator no Globo de Ouro. A atuação de DiCaprio ganha ainda mais significância com o papel de Tom Hardy, que dá vida ao egoísta John Fitzgerald, responsável por grande sofrimento no filme.

A experiência de O Regresso é diferenciada pela capacidade do diretor de aprimorar a interação de, praticamente, sentir o que o personagem está sentindo. Não só pela atuação, mas como pela simples trilha sonora que aparece nos momentos certos, dentro da imensidão que estamos alocados e perdidos. O filme possui boas cenas e efeitos, mas não é um filme de ação. Uma das cenas mais incríveis é o ataque de urso que debilita o protagonista. O filme ganha seu espaço nas incríveis fotografias, e aplicação dos cenários a cada momento do filme. As transições também dão a sensação de imersão ao filme, tornando a experiência mais incrível.

O Regresso não é somente um filme de jornada e busca por uma vingança sem controle. O filme mostra a transformação de um homem e seu entendimento de todo o mundo ao seu redor. No final das contas, o filme ensina mais sobre Deus e o sentimento da vingança, do que a música “Sabor de Mel” da cantora gospel Damares.

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Podemos dividir esse filme em três atos. O segundo e maior, que foca na jornada de Glass se torna, em alguns instantes extensa e repetitiva, mas que é necessária para o crescimento do personagem. Para apreciar o filme O Regresso é necessário uma sensibilidade de se entregar ao filme e não julgá-lo por suas cenas sem ação. Repetindo: não é um filme ao estilo Transformes ou de super heróis.

O Regresso, com toda certeza, merece suas indicações e premiações. A atuação de DiCaprio, na minha opinião, merece alcançar a estatueta do Oscar, e assim consagrar o filme como uma das mais belas experiências em salas de cinema que já tive.

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Patrick Duarte

Patrick Duarte, CEO do Blog Pensamento Livre. Jornalista (MTB 0082370/SP). Adorador e escritor. Músico e Professor na Escola Bíblica Dominical (AD - Taboão). Piadista nas horas vagas. Acima de tudo, Servo do Deus!!!

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